segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Estágio de Observação

A disciplina de estágio é obrigatória nos cursos de formação de professores, e sua proposta inicial é colocar o futuro educador em contato com o contexto real da escola. Portanto, o estágio é a ponte de acesso entre a teoria adquirida no espaço da universidade e a prática pedagógica na escola. Essa integração entre teoria e prática permite ao estagiário perceber as especificidades e as dimensões da realidade escolar em relação com a sua contextualização social.

O estágio é um espaço privilegiado de questionamento e investigação onde a aproximação do aluno estagiário com o docente da escola não é apenas para verificação da aula e do modo de conduzir a classe, mas é também para pesquisar a pessoa do professor, seu ingresso na profissão, a forma como conquistou seus espaços e como vem construindo sua identidade profissional ao longo dos anos.
Nesta perspectiva, a pesquisa é um instrumento necessário para a concretização do estágio, pois, ainda segundo Pimenta e Lima (2004, p.114), é esta que vai,

“[...] apontando novas possibilidades de ensinar e aprender a profissão docente, inclusive para os professores formadores, que são convocados a rever suas certezas, suas concepções do ensinar e do aprender e seus modos de compreender, de analisar, de interpretar os fenômenos percebidos nas atividades de estágio”.

Também Freire (1996, p. 29) afirma que “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino [...]. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo”.

Nesta perspectiva, o presente relatório tem por função apresentar, de maneira reflexiva e teórica, as observações realizadas na prática escolar no Ensino Fundamental I, numa instituição escolar no município de Jequié-BA, que aconteceu no período de 30 de março a 03 de abril de 2009 com uma turma de 25 alunos do 5º ano do Ciclo. Tendo como proposta principal observar o contexto escolar, a gestão, a coordenação, a docência e a gestão de classe segundo as categorias de Gauthier.

Estes aspectos são necessários para dar início a construção de um projeto de intervenção para o estágio de regência que ocorrerá no período de 11 de maio a 06 de junho de 2009, a partir da reflexão crítica da prática escolar. Reflexão crítica esta que Freire (1996, p.39) postula ser fundamental na formação permanente dos professores, pois “é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática”.

Assim, mediante esta instrumentalização e apoiados nos estudos teóricos realizados, na disciplina Práticas Pedagógicas no Ensino Fundamental, foram criadas categorias, as quais analisaremos no decorrer deste relatório.


O CONTEXTO ESCOLAR

O estágio é uma fase de contato e intervenção com a prática escolar. Neste processo o diagnóstico permite ao estagiário sentir a escola, sua estrutura, sua organização e seu funcionamento. O diagnóstico de acordo com Libâneo (apud ALMEIDA, 1992,p. 22) “consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitara escola de alternativas de solução”.
Para se fazer o diagnóstico é preciso verificar a escola funcionando, o movimento na entrada dos alunos, no pátio, na sala de aula, na hora do recreio, na saída e a estrutura física. É também perceber onde a escola está inserida e as suas interrelações intra e extra muro. Neste sentido, este trabalho se propõe a discutir as categorias acima mencionadas a partir das observações realizadas.

O portão da escola

O portão da escola revela muitas coisas, pois representa um resumo da realidade. Pode-se compreender o todo social a partir de sua visão e compreensão.
Lima (ALMEIDA, 1992, P. 28) afirma que:

Ficar no portão da escola é uma experiência de compreensão do que acontece lá dentro. O panorama que se descortina fora do espaço escolar traz a tona aspectos que talvez nunca tenhamos observado antes: a vida da comunidade, seus costumes, preferências, religiosidade, bem como as marcas do tempo histórico vivenciado.


O pátio

O pátio da escola é um espaço de construção de conhecimento e socialização que merece atenção e adequação às necessidades da comunidade escolar. Este deve estar acessível a todos os alunos com ou sem deficiências e de estar estruturado com instrumentos que possibilitem atividades lúdicas e de letramento.
Não se pode pensar o pátio como uma estrutura fora da escola ou como um local só de passagem. Pois é nele que são estabelecidas as relações mais amplas, podendo representar um ponto de encontro para os alunos e para os pais um local onde eles se atualizam sobre as coisas que se passam na escola. Além de ser um espaço que possibilita a exposição de materiais e trabalhos realizados pelos alunos. Assim, “tal exposição favorece a comunicação entre os próprios alunos (mesmo que pertencentes a diferentes séries), entres estes e seus familiares e, inclusive, entre a direção da escola e a comunidade” (BRASIL, 2002, p. 34).


O Recreio

O recreio é um dos momentos preferidos dos alunos, pois é o espaço de brincadeiras, diversão e atividades lúdicas. Também é o momento do lanche, da merenda do interagir com outros colegas e com os serventes da escola. É o momento em que brincar, pular e correr é permitido sem muitas restrições e proibições. Porém, este ambiente deve ser organizado de forma a “fornecer oportunidade para as crianças andarem, correrem, subirem, descerem e pularem com segurança permitindo-lhes tentar, falhar e tentar novamente” (CARVALHO e RUBIANO, s/d, p. 108- 109).

Relações interpessoais

“Só ensina quem aprende e quem aprende, ensina”.
Paulo Freire

A escola é um ambiente composto por diversidades de cultura e personalidades. Cada setor possui sua função e cada funcionário um papel importante no cenário escolar. Pois, todos eles precisam estar integrados a filosofia da escola, ou seja, se a proposta da escola for humanista, todos os funcionários devem estar atuando de acordo com essa vertente. Porque todos os envolvidos no espaço escolar são educadores, e a escola, como um todo, é responsável pelo ensino e pela educação de todos os cidadãos.
Segundo Wallon (apud BRASIL, 2006, P. 45) a criança e o adulto formam uma unidade indissolúvel. Isso porque, o desenvolvimento da criança se dá em direção à vida adulta. É preciso ver a pessoa em uma perspectiva que contemple o passado, o presente e o futuro. Neste sentido ao que se refere ao ensino, seja de um conhecimento ou de um hábito, não pode ser desconsiderada a atenção afetuosa, alegre, disponível e promotora da progressiva autonomia do educando. Visto que, é importante saber o significado das experiências vividas desde o início da escolaridade do aluno, pois possibilitará na contribuição da construção de propostas que acolham as crianças para melhor atender suas necessidades, facilitando-lhes estabelecer interações mais produtivas com o contexto escolar.
De acordo com Pedroza (BRASIL, 2006, p. 52), “a escola tem de se dirigir à criança de maneira a atingir toda sua personalidade, respeitando e estimulando sua espontaneidade total de ação e de assimilação”. Sendo assim, a educação não pode ser dissociada da orientação para uma apropriação da cultura. Mas, exige, um esforço de olharmos atentamente para o outro para poder conhecê-lo e então saber das suas necessidades.
Deste modo, é fundamental que neste ambiente as relações interpessoais sejam sadias e correlacionadas. Assim, uma relação funcionário/aluno, aluno/professor, aluno/aluno, pais/escola bem-estruturada permite uma melhor interação entre as diversas esferas do cenário escolar e, por conseguinte, um resultado mais satisfatório.
Pedroza (BRASIL, 2006, p. 79), afirma que:

“É necessário desenvolver no contexto escolar relações
interpessoais que permitam uma integração das diversas áreas do conhecimento e das diferentes funções de cada membro da escola, reconhecendo a necessidade de superação da fragmentação do saber e dos fazeres, característica da escola tradicional.”


Para esta autora, muitas vezes, o secretário, a porteira ou a merendeira conhece melhor as motivações e as dificuldades dos alunos do que os professores. Nesta perspectiva, torna-se necessário construir uma escola mais humanizada, onde alunos, professores, funcionários e direção, cientes de suas capacidades e criatividade, se sintam participantes e responsáveis pela espaço escolar que estão inseridos e pela construção de uma nova sociedade.
Também de suma importância segundo a autora, é a participação da comunidade que “deve acontecer de forma efetiva, por meio de atividades que levem pais, alunos, professores e funcionários a perceberem que podem vir à escola para falar, expressar, opinar e não apenas para ouvir e perguntar” (BRASIL, 2006, p. 82).

Estrutura Física

Falta de energia elétrica, de água potável, de biblioteca, de quadra de esporte e até de sala de aula para acomodar alunos de séries diferentes, são alguns problemas que ainda atingem muitas escolas públicas do país. Essa escassez de estrutura prejudica a aprendizagem dos alunos.
A estrutura física de uma escola é um facilitador no processo de ensino-aprendizagem, por isso o ambiente escolar deve ser planejado tanto em termos de espaço como de objetos disponíveis, para atender às necessidades de contato social e de privacidade. Sendo assim, variar o tamanho de áreas dentro de um mesmo espaço, por exemplo, oferece oportunidades para atividades em pequenos grupos, e de interações didáticas entre outros.
Neste sentido, de acordo com Lima (apud, MIRANDA E GOMES, 2002, p. 12):

“Para qualquer ser vivo, o espaço é vital, não apenas para a sobrevivência, mas, sobretudo para o seu desenvolvimento. Para o ser humano, o espaço, além de ser um elemento potencialmente mensurável, é o lugar de reconhecimento de si e dos outros, porque é no espaço que ele se movimenta, realiza atividades, estabelece relações sociais”.

O brincar, o interagir com os outros e com o meio são fundamentais para o aprendizado. E, neste sentido, o ambiente físico é uma variável importante. Os objetos, os espaços disponíveis para cada atividade, a mobília, características dos jardins e parques, podem funcionar como facilitadores de aprendizagem, oferecendo mais alternativas para a percepção e criatividade de cada pessoa.

TAMBÉM FORAM TRABALHADAS AS CATEGORIAS DE (EM CONSTRUÇÃO)

6 comentários:

  1. Achei super interessante, inclusive me ajudou a tirar algumas dúvidas para redigir meu relatório de estágio supervisionado.
    Att. Rozana Lino dos Santos Silva, Graduanda em Pedagogia.

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  2. Nossa, achei super interessante seu trabalho, você esta de parabéns, e me ajudou bastante com o meu relatório de estágio supervisionado.

    Att. Mariana Tavares Ribeiro, Gruaduanda em Pedagogia.

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  3. Amei suas palavras vou entrar agora nesta etapa , e seu blog me esclareceu bastante sobre o estagio de observação.

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  4. Achei muito interessante seu trabalho estou fazendo uma pesquisa sobre contexto escolar pois é um trabalho da faculdade e este me esclareceu algumas duvidas. obrigado

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  5. OLÁ, GOSTARIA DE SABER SE VOCÊ TEM UM MODELO DE PROJETO DE INTERVENÇÃO CUJOS PRINCÍPIOS SEJAM PAUTADOS NA EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA E NA PEDAGOGIA EMPREENDEDORA.

    Aguardo resposta.

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  6. oi amei seu blog., faço o curso nirmal tenho 14 anos e amei mto., tiirou mtas duviidas ; vou p meu estagio com certeza mais plena e sem duvidas

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