sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ser educador não é ensinar a escrever a palavra... Mas é dar significado a ela!!



A última semana de estágio foi surpreendente! Quanta coisa mudou e, para melhor! A turma apesar de continuar a fazer muito barulho, agora se envolve mais com as atividades e acham interessante tudo o que nós levamos. Mas isso não aconteceu atoa... não saiu do nada... Tivemos que repensar nossa prática todos os dias, refletindo e buscando nos colocarmos no lugar dos alunos, no intuito de entender o que eles gostariam de ver e de estudar.

Algumas pessoas até diriam: "Não é melhor perguntar a eles o que eles querem?" No entanto, percebemos durante o estágio, que a maioria das crianças não sabem ou não conseguem dizer, o que gostariam de aprender ou o que gostariam que nós levássimos para eles. As questões que eles levantam, ou seja, os palpites que eles nos dão, são as vezes sobre assuntos que eles já viram e que de alguma forma tiveram contato. Nós estagiárias, nos sentimos no direito de levarmos para estas crianças, coisas diferentes e interessantes que eles tenham tido pouco contato, numa forma de socializar os diversos conhecimentos.

Porém, nossa proposta era a de contextualizar as novas informações, ou seja, nós não disprezamos o que os alunos sugeriam, mais trazíamos também outras coisas além do que eles solicitavam, como complemento e objeto de descoberta. Por muitas vezes os alunos sinalizaram que gostariam de aprender com músicas. Neste sntido, promovemos atividades onde além da música, eles pudessem pintar, dançar e discutir textos relacionados à música. Trabalhamos geografia e história, a partir da letra das músicas, contextualizamos os conteúdos de matemática, Brincamos de faz-de-conta e contamos muitas histórias.

A resposta não demorou muito a aparecer. Os alunos logo se interessavam em escrever alguma coisa, responder no quadro negro as atividades de casa... Os argumentos sobre textos e músicas eram mais frequentes! Ouvíamos mais as falas daquelas crianças. Elas começaram a compreender que podiam se expressar porque nós ouviríamos tudo o que eles tinham para falar.

Percebemos que o recreio era um momento de grande agitação e confusão e, após este momento, as crianças ficavam muito agitadas e desconcentradas. Passamos a realizar atividades de relaxamento e de concentração com eles. Lançávamos desafios... pediamos que ouvissem sua própria respiração. Passamos a ter um contato mais próximo deles. Abraçando-os, acariciando os cabelos, principalmente nos momentos de maior rebeldia. Constatamos que a afetividade numa sala de aula assim é o coringa para promover o aprendizado e a atenção.


Já quase não levávamos os alunos à secretaria. Poucas vezes afastamos os alunos da sala de aula nos últimos dias de estágio. Isto porque entendemos que grosseria não se resolve com grosseria, mas sim com amor, compreensão e limites. Impomos limites, mas não fomos autoritárias, deixamos que eles fizessem o que tinham vontade, mas sem baderna.


Nós nos colocamos como mediadoras... Enquanto uma estágiária estava corrigindo ou aplicando alguma atividade, a outra estava acompanhando aqueles que se recusavam a participar da aula. Mas este acompanhamento não era desorganizado, sem intencionalidade, ao contrário. Ao longo dos dias fomos percebendo quais alunos se envolviam com nossa proposta e quais não queriam tomar parte do que acontecia na sala. Então, mesmo sem querer fazer nada, sob nosso direcionamento meio que disfarçado, elas escreviam, liam, desenhavam, discutiam e argumentavam, criticavam nossas atividades... "E assim a gente começava a testar um monte de ações e via o que era bom e o que era ruim." Graças às críticas de nossos alunos que não participavam das aulas!


Foi muito interessante a transformação de nossa turma! No penúltimo dia do nosso estágio, nós iniciamos a aula fazendo uma espécie de balancete do que havia sido aqueles 25 dias com eles, onde eles falavam e a gente ouvia e vice versa. No final do dia, um dos meninos olhou para mim (ele sentado numa cadeira se escorando em apenas duas das pernas de forma bastante confortável para ele), e disse: "pró eu não quero que vocês vão embora, porque eu antes, com a outra professora, não sabia ler e nem escrever, mas a gora eu já sei!" Qualquer que seja o educador, diante de um depoimento desse não desistiria nunca mais de trabalhar com a educação pública!


O que o menino disse é verdade... Não que a professora não fosse competente e não o ensinasse. Não é nada disso... O que aconteceu é que ele já sabia escrever e ler, mas não era de certa forma valorizado, ou algumas vezes o que ele tentava escrever era considerado erro. Nosso trabalho transformou o erro em aprendizado e não punição e incapacidade. Avaliávamos a partir do que a criança havia conquistado dia a dia. O seu entendimento e o seu conhecimento internalizado e reelaborado e não o que ele havia decorado.

Ele descobriu o mundo, começou a escrver e a ler, porque se sentiu seguro! Percebeu que alguem gostava do que ele fazia. Então passou a nos mostrar suas produções, passou a ler nomes de seus colegas nas paredes, nas carteiras, nas atividades. Se sentiu importante. Percebemos que antes de ensinar a escrer as palavras, devemos permitir que as crianças as sintam e as percebam por si só e assim, elas mesmas nos solicitarão que ensinemos os sinais que formam as letras, as palavras e as frases.


Nunca alfabetizei ninguem antes do estágio. Mas acredito, que tenha sido responsável por parte da evolução da escrita e da leitura naquela turma. Ao sairmos de lá, aquelas crianças já haviam adquirido uma outra leitura de mundo e de suas potencialidades. Portanto, decidi que não quero ser professora!! Isso qualquer um pode ser... Eu quero ser educadora. Porque isso pouca gente é!
Ser educadora não é ensinar a escrever a palavra, más é dá significado a ela!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Quanta mudança!!!!

Esta segunda semana de estágio foi muito diferente da primeira. Acho que valeu a pena as broncas e os conselhos, as atitudes mais firmes de conduzir algumas crianças para a diretoria. Por meio de dinâmicas e de vivências de sensibilização nós conseguimos nos aproximar da turma e mesmo com alguns ainda bagunçando, nós consguimos maravilhosamente e milagrosamente prender a atenção deles e fazê-los participar.

Resolvemos junto com os alunos que iríamos fazer um coral para cantar a música Paz pela paz de Nando Cordel, todos ficaram muito eufóricos, mas uma euforia muito produtiva. Contamos a história de Dom Quixote com fantoches e utilizamos a música Dom Quixote de Engenheiros do Hawaii. Foi maravilhoso... As crianças interpretaram muito bem a música e a história, foi realmente fantástico. Na música paz pela paz n´so discutimos muito com eles o significado da paz, violência, mostramos que existem muitos tipos de violência e descobrimos que muitas daquelas crianças precensiam ou sofrem violência em suas casas.

Falamos muito sobre a vida... Buscamos contextualizar nossas atividades. Colocamos a vida cotidiana delas nos exemplos de nossos temas e nossos temas dentro de situações da vida delas. Isso dá um maior significado a experiência na sala de aula. As crianças sentem a necessidade de expressarem o que vivem mais não sabem como e isso se reflete em ações violentas, atos de vandalismo. São pré-adolescentes e ainda não sabem lidar com tantas transformações físicas, hormonais, sociais, afetivas e psicológicas. Nós professores podemos tornar este processo um pouco menos doloroso. Tornando-nos um ponto de apoio, ajudando-os a centrar-se e a equilibrar-se. Expulsar, banir, excluir, não vai resolver.

A afetividade na educação é tudo! Antes de ensinar a palavra, deve-se ensinar o amor! Não adianta eu ensinar a ler e a escrever se eu não conquistar o afeto daquelas crianças, não tornar o espaço da sala de aula um lugar bom de se estar. Acolher e e entender os problemas que meus alunos passam todos os dias. Depois de tudo isso, ler e escrever é um prêmio... O resultado... o meio e não um fim em si mesmo. Eles é que vão querer que eu ensine, eles é que vão sentir vontade de aprender. Mas para isso, eu preciso refletir todos os dias. Paulo Freira chama muito a atenção do educador para a práxis- ação-refleção-ação. Acredito e sigo as orientações de quem tem anos de trabalho significativo para a educação. O que Paulo Freire deixou, imortaliza a sua experiência de educador e dá um norte a qualquer que seja o professor.

Tivemos muitas conquistas nesta segunda senama: as crianças escreveram textos. Uma das crianças que diziam que não sabia ler nem escrever, escreveu duas frase de uma paródia que ela mesma criou e foi muito lindo. Ficamos maravilhadas, eu e minha colega de estágio. As crianças não se distanciam mais umas das outras. As que sabem sentam com as que não sabem. Constroem juntas e pensam juntas. Descobriram sozinhas o sentido do aprender. Umas sabem mais matemática outras sabem mais português. É realmente incrível como crianças que não estão ainda alfabetizadas possuem leitura de mundo, muito mais elaborada e complexa do que aquelas que lêem e escreve.

Estamos muito felizes esta semana, pois nossas atividades surtiram efeito... A turma está mais contagiada e a auto-estima mais elevada principalmente com aqueles que acreditavam que não sabiam de nada. Senti pela primeira vez o poder da educação baseada numa perspectiva afetiva e construtiva. Pouco a pouco, do seu geito, a criança escreve e começa a ler letras e palavras identificando nomes em listas e atividades. Estou muito feliz esta semana. Acredito que meus alunos estejam muito mais do que eu.

Nesta semana aconteceu um fato que me emocionou. Uma das meninas que menos participava das aula, que gostava de bater nos colegas e de gritar muito... Sua avó foi buscá-la meia hora antes do horário normal do encerramento da aula e a menina chorou, dizendo que queria ficar e terminar de fazer a atividade. Por se tratar desta criança que antes não participava e se recusava a fazer tudo, este momento foi muito significativo pra mim. Pois senti que algo mudou e mudou para melhor. A avó comovida, permitiu que ela ficasse e só saisse quando a menina sentisse vontade, ficando do lado de fora do portão esperando a neta. A avó aproveitou e perguntou como a menina estava indo. Apesar de falar com a avó que na semana anterior ela havia se comportado mal, nesta semana ela estava maravilhosa. Disse que a avó deveria ter orgulho dela, pois era esforçada e havia conseguido escrever duas frases inteira sozinha de uma paródia e isso me deixava muito feliz. A criança ouvindo isso, se emocionou novamente e chorou... Foi muito linda esta lágrima! Ela hoje é outra pessoa... A transformação foi profunda! a menina senta na frente, descobre seu nome nas atividades, tenta escrever, tenta ler, quer fazer as atividades direcionadas as necessidades dos nãoalfabetizados e ainda pede pra fazer a atividade dos alfabetizados. Nós porém deixamos que ela faça o que quiser, desde que isso ajude-a a encontrar seu lugar na sala de aula. E a sentir o prazer de estudar.

Ao contrário da primeira semana, valeu a pena dormir tarde e acordar cedo. Esta aluna nos eu o maior presente que um educador pode ganhar... Uma lágrima de felicidade!





domingo, 17 de maio de 2009

Primeira semana de estágio... Realidade Mascarada!


Esta é a primeira semana do estagio. A primeira semana em que nós alunos do Curso de Pedagogia assumimos uma turma do ensino fundamental numa escola pública do município de Jequie, situada em um bairro economicamente desfavorecido, populoso, com todos os problemas socio-economicos existentes e conhecidos.

Durante a elaboração do projeto de intervenção, nos perguntávamos o que e como iríamos trabalhar naquela escola, de forma que as crianças, ao final do nosso estágio, ao menos adquirissem habilidades de leitura fluente e reconhecessem pelo menos as tipologias textuais mais simples. Então, os questionamentos eram: o que ensinar? como ensinar? Isso porque achávamos que já durante a observação, já havíamos traçado o perfil das turmas e sabíamos com quem iríamos trabalhar. Pobres estagiários ingênuos!!!

Elaboramos por dias, os melhores projetos de nossas vidas, também os mais densos de todos eles. Criamos e copiamos atividades que deixariam professores de escolar particular de queixo caído. Articulamos teoria e prática, criticamos atitudes de professores e direção de escola. Defendemos e fizemos do aluno uma pobre vítima do sistema. "E acho que ainda são"! No entanto, após perdemos noites de sono e aplicarmos certo capital em atividades, dinâmicas, textos e brincadeiras, o nosso retorno tem sido desastroso! Em partes... É verdade!

Na sala de aula, ainda estamos tentando adequadar atividades e testar tudo aquilo que nós levamos, seja de texto ou de atividade. Estamos conseguindo perceber quais atividades promovem bom resultado, quais os textos mais adequados, temos evoluido didaticamente falando. Temos refletido muito nossa prática diária. Após a cada tarde de trabalho, sentamos e analisamos os prós e os contras de cada ação.

Quanto as atividades previamente elaboradas, pertinentes ao projeto, tudo flui muito bem. Não temos problemas quanto a aplicação e a exposição do conteúdo. Mas nos deparamos com um problema que não conseguimos visualizar durante o estagio de observação: como lidar com crianças que sabem e ler e crianças que não conhecem se quer as letras? Já sabíamos desta realidade... Nossa professora de prática nos questionou quanto a isso! Criamos atividades difertenciadas mas integradoras, para que não houvesse discriminação nem exclusão entre os que "sabem" e os que não sabem" dentro desta sala heterogêna. Proporcionamos um espaço onde todos participam do mesmo trabalho, mas com atividades direcionadas às necessidades de cada aluno.

Até aí tudo muito bem... O que quero dizer é que, ver uma situação não é sentí-la! Dois dias da semana de observação para graduandos que nunca tiveram contato com sala de aula não são suficientes para fazer com que o estgiário sinta a situação da turma que atuará. Na prática o trabalho é exaustivo! O nosso esforço tem sido extremo! No entanto, percebo que se sentíssimos na turma de crianças do 5º ano do ciclo, qualquer que fosse o interesse, onde eles quisessem realmente participar das atividades e aprender de forma diferente, talvéz nós estagiários estaríamos mais contentes e mais ousados, buscando novas e eficientes formas de socializar conhecimento.

Mas o que estamos encontrando neste estágio é uma turma condicionada a sentar em fileiras, copiar durante toda a tarde um cacatal de atividades, escrever no caderno, copiar o dever do colega, quando não mandar o colega fazer todo o dever. São o que Paulo Freire critica: meros reprodutores. Provenientes de uma educação bancária fracassada, incapaz de fazer o aluno pensar. Então como tirar estes alunos da condição de analfabetos e analfabetos funcionais em menos de trinta dias de estágio. Isso chega a ser torturante!

Daí eu pergunto: fecho os olhos para os que não sabem ler e trabalho com que tem boa leitura para conseguir atingir o meu objetivo que conseguir que o aluno leia fluentemente, criticando e interpretando com autononia os textos lidos? Ou me atenho aos seis alunos que não sabem ler deixando os outros dezenove fazendo atividades sozinhos, porque precisarei dar maior atenção para os que não sabem nada? No nosso caso, isso pode ser resolvido pois trabalhamos em dupla e podemos atuar nos dois grupos distintos. Mas durante todo ano letivo, ésta indagação é a indagação que a professora regente com certeza faz todo santo dia.

Os alunos estão desmotivamos, rotulam-se entre si. Se menosprezam, se isolam, não querem participar. Percebem que nossas aulas tem muitas coisas diferentes, mas não se sentem atraídos por elas. Nos escondem o que conseguem escrever, como se nós fóssimos dizer que está errado ou que está feio. Não querem trabalar em equipe. Não conseguem ficar dois minutos sem se esbofetearem. Alías, a violência e o derrespeito entre eles é característica marcante em todas as turmas.
Alguns tentam nos desafiar dentro da sala de aula, pensando em nos atingir com gritos de revolta, palavrões e rejeitando as atividades... o barulho na sala de aula, não é o barulho que gostaríamos de ouvir... o da contrução de conhecimento, mas é o barulho do descaso, do desprezo pela atividade, pelos estagiários. Daí sentimos que nossas noites em claro, toda a nossa proposta cognitivista, construtivista se depara com uma realidade em que precisamos constantemente voltar para o tradicional. As vezes o alvoroço da sala faz com que tenhamos que aplicar o que Sknner chama de reforço positivo e negativo. Ou seja, temos que premiar ou punir. Dar castigo ou eleogiar.

Então isso tem nos frustrado muito. Para quem ensinar? Para quem bolamos estas atividades maravilhosas? O que piora a situação é que além de termos que trabalhar todos os dias as atividades propostas sobre leitura, onde temos que organizar a dinâmica da atividade, ainda temos que estudar outros conteúdos da proposta curricular da escola, temos que ter domínio do assunto de história, ciências, geografia e matemática. Temos que tambem elaborar atividades e metodologias de ensino que promovam a descoberta dentro destas disciplinas. E nós estagiários, em determinados dias, nem conseguimos aplicar o assunto de matemática ou de história porque os alunos não nos possibilitaram o bom andamento das primeiras atividades.

Quanto a isso tudo bem. Estamos preparados e sabemos que nem sempre dará para cumpir o plano de aula. No entanto, a nossa queixa é quanto a atitude das crianças. Elas se recusam a estudar, elas se recusam a ler, elas se recusam a participar das atividades. As turmas paracem não ter limites, não seguir regras e normas. Nós elaboramos com eles os combinados onde criamos regras essenciais de boa convivência, e o descumprimento acarreta em punição como ir dar explicações na diretoria, ou ficar na diretoria até que o aluno se acalme, afastando-se das atividades. Ainda não não punimos nenhum aluno, mas não foi por falta de oportunidade. Na verdade, sentimos que tirar o aluno da sala e afasta-lo de nossas atividades só vai beneficiar ao estagiário que terá um pouco mais de paz. Mas o aluno vai perder uma chance de aprender e melhorar.

No entanto, outras formas de estabelecer regras na sala foram surgindo. Estamos apresentando a proposta de trabalho para aquela tarde e ao passo que se comportam e participam, as coisa vão acontecendo. Ao passo que não colaboram e prejudicam o nosso trabalho, as atividades não vão acontecendo e nós vamos explicando porque não aconteceram. Eles passam a perceber que suas atitudes podem prejudicar a eles mesmos.

Eu como estagiária, não sei mais o que pensar... Já utilizamos a ludicidade, já demos aula expositiva, já tentamos construir painéis, já cantamos e contamos histórias, encentivamos as crianças com produção de textos... Mas tudo é motivo de grande confusão na sala de aula. Perdemos muito tempo pedindo aos alunos que se comportem e que realizem suas atividades individuais ou em grupo. Eles não colaboram... O tempo passa rápido e não conseguimos por mais que nos esforcemos ter uma tarde agradável, de construção e de bom desenvolvimento das atividades.

Esta foi nossa primeira frustrada semana de estágio... fizemos oração todos os dias antes de começar as aulas, informamos e combinamos com a turma sobre as atividades, levamos fábulas, fantoches, músicas, muita cola colorida e papel para desenhar e colar; revistas, atividades escritas com imagens maravilhosas e a atitude de algumas crianças nos faz ficartriste, pois jogam o mateiral no chão, gritam que não querem fazer, daí a conversa só não basta... Temos que encaminhá-los para a diretoria da escola.

Ao menos em uma ou outra atividade percebemos um certo interesse: com músicas, a interpretação da música Deus e eu no Sertão foi maravilhosa. Nas fábulas contadas por meio de fantoches; nas máscaras onde tiveram que contar suas histórias que eles mesmos criaram; a cunsulta ao dicionário. Desta última posso dizer que foi muito proveitosa. Dava pra ver a alegria da descoberta das palavras que eles estavam procurando, principalmente os que não sabem ler direito. Se tornou mágico e, nesse momento de pesquisa no dicionário, nem parece aquela turma meio desinteressada de sempre.

Apesar de toda a angústia, ainda acredito que conseguiremos realizar pequenas, mas profundas transformações naquela sala de aula. Acredito que no final de tudo, mesmo com as broncas... o amor, o carinho e um pouco de conhecimento vai ficar marcado nas consciências infantís daquelas crianças. Acredito que nada será em vão. Mas lamento que a escola pública tenha contribuído em parte com a formação do perfil destas crianças, pois acredito que a família também tem sua parcela de culpa, quando só cobra e não participa e não ajuda. Quando não dá atenção e carinho aos seus filhos criando-os com violência que reproduzem na escola e voltam a reproduzir em casa...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Imagens do Estagio de Observação

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O Estágio de Observação

A disciplina de estágio é obrigatória nos cursos de formação de professores, e sua proposta inicial é colocar o futuro educador em contato com o contexto real da escola. Portanto, o estágio é a ponte de acesso entre a teoria adquirida no espaço da universidade e a prática pedagógica na escola. Essa integração entre teoria e prática permite ao estagiário perceber as especificidades e as dimensões da realidade escolar em relação com a sua contextualização social.

O estágio é um espaço privilegiado de questionamento e investigação onde a aproximação do aluno estagiário com o docente da escola não é apenas para verificação da aula e do modo de conduzir a classe, mas é também para pesquisar a pessoa do professor, seu ingresso na profissão, a forma como conquistou seus espaços e como vem construindo sua identidade profissional ao longo dos anos.
Nesta perspectiva, a pesquisa é um instrumento necessário para a concretização do estágio, pois, ainda segundo Pimenta e Lima (2004, p.114), é esta que vai,

“[...] apontando novas possibilidades de ensinar e aprender a profissão docente, inclusive para os professores formadores, que são convocados a rever suas certezas, suas concepções do ensinar e do aprender e seus modos de compreender, de analisar, de interpretar os fenômenos percebidos nas atividades de estágio”.

Também Freire (1996, p. 29) afirma que “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino [...]. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo”.

Nesta perspectiva, o presente relatório tem por função apresentar, de maneira reflexiva e teórica, as observações realizadas na prática escolar no Ensino Fundamental I, numa instituição escolar no município de Jequié-BA, que aconteceu no período de 30 de março a 03 de abril de 2009 com uma turma de 25 alunos do 5º ano do Ciclo. Tendo como proposta principal observar o contexto escolar, a gestão, a coordenação, a docência e a gestão de classe segundo as categorias de Gauthier.

Estes aspectos são necessários para dar início a construção de um projeto de intervenção para o estágio de regência que ocorrerá no período de 11 de maio a 06 de junho de 2009, a partir da reflexão crítica da prática escolar. Reflexão crítica esta que Freire (1996, p.39) postula ser fundamental na formação permanente dos professores, pois “é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática”.

Assim, mediante esta instrumentalização e apoiados nos estudos teóricos realizados, na disciplina Práticas Pedagógicas no Ensino Fundamental, foram criadas categorias, as quais analisaremos no decorrer deste relatório.


O CONTEXTO ESCOLAR

O estágio é uma fase de contato e intervenção com a prática escolar. Neste processo o diagnóstico permite ao estagiário sentir a escola, sua estrutura, sua organização e seu funcionamento. O diagnóstico de acordo com Libâneo (apud ALMEIDA, 1992,p. 22) “consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitara escola de alternativas de solução”.
Para se fazer o diagnóstico é preciso verificar a escola funcionando, o movimento na entrada dos alunos, no pátio, na sala de aula, na hora do recreio, na saída e a estrutura física. É também perceber onde a escola está inserida e as suas interrelações intra e extra muro. Neste sentido, este trabalho se propõe a discutir as categorias acima mencionadas a partir das observações realizadas.

O portão da escola

O portão da escola revela muitas coisas, pois representa um resumo da realidade. Pode-se compreender o todo social a partir de sua visão e compreensão.
Lima (ALMEIDA, 1992, P. 28) afirma que:

Ficar no portão da escola é uma experiência de compreensão do que acontece lá dentro. O panorama que se descortina fora do espaço escolar traz a tona aspectos que talvez nunca tenhamos observado antes: a vida da comunidade, seus costumes, preferências, religiosidade, bem como as marcas do tempo histórico vivenciado.


O pátio

O pátio da escola é um espaço de construção de conhecimento e socialização que merece atenção e adequação às necessidades da comunidade escolar. Este deve estar acessível a todos os alunos com ou sem deficiências e de estar estruturado com instrumentos que possibilitem atividades lúdicas e de letramento.
Não se pode pensar o pátio como uma estrutura fora da escola ou como um local só de passagem. Pois é nele que são estabelecidas as relações mais amplas, podendo representar um ponto de encontro para os alunos e para os pais um local onde eles se atualizam sobre as coisas que se passam na escola. Além de ser um espaço que possibilita a exposição de materiais e trabalhos realizados pelos alunos. Assim, “tal exposição favorece a comunicação entre os próprios alunos (mesmo que pertencentes a diferentes séries), entres estes e seus familiares e, inclusive, entre a direção da escola e a comunidade” (BRASIL, 2002, p. 34).


O Recreio

O recreio é um dos momentos preferidos dos alunos, pois é o espaço de brincadeiras, diversão e atividades lúdicas. Também é o momento do lanche, da merenda do interagir com outros colegas e com os serventes da escola. É o momento em que brincar, pular e correr é permitido sem muitas restrições e proibições. Porém, este ambiente deve ser organizado de forma a “fornecer oportunidade para as crianças andarem, correrem, subirem, descerem e pularem com segurança permitindo-lhes tentar, falhar e tentar novamente” (CARVALHO e RUBIANO, s/d, p. 108- 109).

Relações interpessoais

“Só ensina quem aprende e quem aprende, ensina”.
Paulo Freire

A escola é um ambiente composto por diversidades de cultura e personalidades. Cada setor possui sua função e cada funcionário um papel importante no cenário escolar. Pois, todos eles precisam estar integrados a filosofia da escola, ou seja, se a proposta da escola for humanista, todos os funcionários devem estar atuando de acordo com essa vertente. Porque todos os envolvidos no espaço escolar são educadores, e a escola, como um todo, é responsável pelo ensino e pela educação de todos os cidadãos.
Segundo Wallon (apud BRASIL, 2006, P. 45) a criança e o adulto formam uma unidade indissolúvel. Isso porque, o desenvolvimento da criança se dá em direção à vida adulta. É preciso ver a pessoa em uma perspectiva que contemple o passado, o presente e o futuro. Neste sentido ao que se refere ao ensino, seja de um conhecimento ou de um hábito, não pode ser desconsiderada a atenção afetuosa, alegre, disponível e promotora da progressiva autonomia do educando. Visto que, é importante saber o significado das experiências vividas desde o início da escolaridade do aluno, pois possibilitará na contribuição da construção de propostas que acolham as crianças para melhor atender suas necessidades, facilitando-lhes estabelecer interações mais produtivas com o contexto escolar.
De acordo com Pedroza (BRASIL, 2006, p. 52), “a escola tem de se dirigir à criança de maneira a atingir toda sua personalidade, respeitando e estimulando sua espontaneidade total de ação e de assimilação”. Sendo assim, a educação não pode ser dissociada da orientação para uma apropriação da cultura. Mas, exige, um esforço de olharmos atentamente para o outro para poder conhecê-lo e então saber das suas necessidades.
Deste modo, é fundamental que neste ambiente as relações interpessoais sejam sadias e correlacionadas. Assim, uma relação funcionário/aluno, aluno/professor, aluno/aluno, pais/escola bem-estruturada permite uma melhor interação entre as diversas esferas do cenário escolar e, por conseguinte, um resultado mais satisfatório.
Pedroza (BRASIL, 2006, p. 79), afirma que:

“É necessário desenvolver no contexto escolar relações
interpessoais que permitam uma integração das diversas áreas do conhecimento e das diferentes funções de cada membro da escola, reconhecendo a necessidade de superação da fragmentação do saber e dos fazeres, característica da escola tradicional.”


Para esta autora, muitas vezes, o secretário, a porteira ou a merendeira conhece melhor as motivações e as dificuldades dos alunos do que os professores. Nesta perspectiva, torna-se necessário construir uma escola mais humanizada, onde alunos, professores, funcionários e direção, cientes de suas capacidades e criatividade, se sintam participantes e responsáveis pela espaço escolar que estão inseridos e pela construção de uma nova sociedade.
Também de suma importância segundo a autora, é a participação da comunidade que “deve acontecer de forma efetiva, por meio de atividades que levem pais, alunos, professores e funcionários a perceberem que podem vir à escola para falar, expressar, opinar e não apenas para ouvir e perguntar” (BRASIL, 2006, p. 82).

Estrutura Física

Falta de energia elétrica, de água potável, de biblioteca, de quadra de esporte e até de sala de aula para acomodar alunos de séries diferentes, são alguns problemas que ainda atingem muitas escolas públicas do país. Essa escassez de estrutura prejudica a aprendizagem dos alunos.
A estrutura física de uma escola é um facilitador no processo de ensino-aprendizagem, por isso o ambiente escolar deve ser planejado tanto em termos de espaço como de objetos disponíveis, para atender às necessidades de contato social e de privacidade. Sendo assim, variar o tamanho de áreas dentro de um mesmo espaço, por exemplo, oferece oportunidades para atividades em pequenos grupos, e de interações didáticas entre outros.
Neste sentido, de acordo com Lima (apud, MIRANDA E GOMES, 2002, p. 12):

“Para qualquer ser vivo, o espaço é vital, não apenas para a sobrevivência, mas, sobretudo para o seu desenvolvimento. Para o ser humano, o espaço, além de ser um elemento potencialmente mensurável, é o lugar de reconhecimento de si e dos outros, porque é no espaço que ele se movimenta, realiza atividades, estabelece relações sociais”.

O brincar, o interagir com os outros e com o meio são fundamentais para o aprendizado. E, neste sentido, o ambiente físico é uma variável importante. Os objetos, os espaços disponíveis para cada atividade, a mobília, características dos jardins e parques, podem funcionar como facilitadores de aprendizagem, oferecendo mais alternativas para a percepção e criatividade de cada pessoa.

TAMBÉM FORAM TRABALHADAS AS CATEGORIAS DE (EM CONSTRUÇÃO)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

O AMOR É CONTAGIOSO...

Este filme conta a história de um homem que por muitos motivos deixou de acreditar em si e na vida. Passou por muitos trabalhos e profissões, más não se realizava em nenhuma delas. Até que um dia resolve tentar o suicídio. É então, levado a uma clínica psiquiátrica onde convive com várias pessoas consideradas doentes mentais. Nesta clínica ele descobre seu dom de fazer as pessoas sorrirem e reagirem ao medo, a tristeza... Decide, portanto, que irá estudar medicina para poder ajudar aqueles que precisam, pois muitos médicos são frios e insensíveis para com seus pacientes, que muitas vezes querem somente conversar e serem ouvidos.
Ao ingressar na faculdade de medicina, percebe o tecnicismo e o cientificismo que tornam as pessoas "coisas" e não seres humanos. Encontra também, professores e alunos do curso que se revestem de uma carapaça blindada colocando-se acima das pessoas de quem trata. O seu amor, sua alegria de viver e de ajudar aos outros, contagia seus colegas, os pacientes, e os profissionais do hospital universitário. As crianças com câncer começam a reagir ao tratamento encarando o intenamento com mais algria ao receberem a visita do "Palhaço Sabido".
O riso era o remédio receitado pelo médico. Encarar a morte como uma passagem para algo que não seria o fim, mas um começo... Realização de seus sonhos e dos sonhos dos seus pacientes; Tornar cada pequena parte do dia um pouco melhor. Garantir a qualidade de vida, mesmo que esta seja curta. Se doar por amor e respeito a profissão e ao outro. Ser caridoso e promover a vida. Estas são as lições que o personagem principal do filme nos passou. Diante disso, um desafio para nós futuros educadores... Vamos fazer valer nossa formação, vamos retribuir as pessoas mais necessitadas não só nosso saber e nossa profissão, mas vamos partilhar o amor. Vamos ensinar a amar. Sim nós podemos fazer isto! Ensinar a amar... Pois a nossa ação falará mais alto e mais forte que nossas palavras. E o amor!? Este se ensina com gestos...